Política

Produtor de RO paga R$ 1 mil para quem viajar à Brasília e protestar contra o STF

O produtor, conhecido como Juliano da soja, criou um grupo no WhatsApp para levar os interessados em participar do golpe contra a Constituição.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

segunda-feira, 23/08/2021 - 21:18 • Atualizado 25/08/2021 - 15:48
Produtor de RO paga R$ 1 mil para quem viajar à Brasília e protestar contra o STF
Protesto bolsonarista em Brasília - Foto: Divulgação

Um produtor agrícola do município de Candeias do Jamari (20 km distante de Porto Velho) está oferecendo R$ 1 mil para quem se comprometer à viajar num ônibus fretado até Brasília e participar do protesto de 07 de setembro, contra o STF.

O organizador criou um grupo na rede social WhatsApp com o nome Brasília. Lá, ele propõe a saída de Candeias por volta das 07h da manhã do dia 04 de setembro e retorno no dia 10. Até a noite de segunda-feira (22) mais de 40 pessoas tinham confirmado que vão ao protesto contra a Constituição Federal.

Em um áudio compartilhado no grupo, o produtor Juliano da soja diz que o ônibus já está garantido e que os mil reais são para custos pessoais. Confira abaixo as mensagens e o áudio

Produtor rural paga R$ 1 mil para quem for à protesto contra STF em Brasília – Foto: Reprodução WhatsApp

STF investiga golpistas

Na última sexta-feira (20) o site The Intercept Brasil informou que a Polícia Federal amanheceu na porta de uma dezena de bolsonaristas que vinham liderando um movimento para destituir ministros do Supremo Tribunal Federal a partir do dia 7 de setembro. O “golpista” mais conhecido é o cantor sertanejo e ex-deputado federal Sérgio Reis. Mas talvez o seu aliado mais poderoso seja Antonio Galvan, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja, a Aprosoja, um fazendeiro nascido no Rio Grande do Sul e hoje um dos maiores produtores de soja do Mato Grosso.

A investigação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes busca desarticular o movimento golpista. Nas últimas semanas, o site The Intercept mergulhou em grupos de Telegram e WhatsApp e conversou com pessoas que estão organizando a ação que pretende dissolver o Supremo Tribunal Federal, o STF, e impor demandas como a adoção do voto impresso.

Segundo o site, quem banca essa escalada, de acordo com os próprios organizadores, é um dos grupos mais ricos do país: produtores rurais como Antonio Galvan.

A Procuradoria-Geral da República, a PGR, que pediu a investigação, suspeita que Galvan seja um dos financiadores do movimento golpista. “São doações de particulares para financiar a paralisação planejada por Zé Trovão (suposto caminhoneiro citado por Reis no áudio), possivelmente patrocinada por Antonio Galvan e amplamente divulgada por Wellington Macedo (Youtuber bolsonarista)”, diz um trecho da decisão de Morares citando a PGR a qual o site teve acesso.

Segundo o jornal Correio Brasiliense, as forças militares que cuidam da segurança do Congresso e da Esplanada dos Ministérios estão em estado de alerta para possíveis manifestações no feriado da Independência, em 7 de setembro, em Brasília. Fontes ouvidas pelo Correio afirmam que, apesar de ainda não existir nenhum planejamento especial em relação o dia, os militares estão preparados para conter qualquer possível ação violenta dos manifestantes.

Dois pesos, duas medidas

Enquanto o protesto do produtor rondoniense contra o STF não teve nenhuma dificuldade, em 19 de agosto, 55 indígenas de várias etnias de Rondônia também fretaram um ônibus para Brasília, mas, desta vez para pedir ao STF que intervenha, na próxima quarta-feira (25) contra o Marco Temporal, que, se aprovado, vai comprometer a demarcação das terras indígenas.

Assim que soube da ida dos indígenas à Brasília para acompanhar a votação no STF sobre o tema, a Procuradoria Geral do Distrito Federal entrou com uma Ação Declaratória pedindo que a Polícia Militar adote medidas de coibição e apreensão de instrumentos indígenas tradicionais, como arcos, flechas e lanças, classificando tais como “armas brancas”.

No entanto, 11 mil indígenas já estão em Brasília, para acompanhar de perto a pauta “anti-indígena” que o Congresso quer aprovar.

Ação da PGDF – Foto: Reprodução