Política

FIASCO – Apenas 5% do público esperado por bolsonaristas compareceu em Brasília

A estimativa do público foi recebida por um ministro do STF ouvido pelo site Valor Econômico.

Por Redação Rondônia Já

terça-feira, 07/09/2021 - 14:16 • Atualizado 18:26
FIASCO – Apenas 5% do público esperado por bolsonaristas compareceu em Brasília
Manifestação bolsonarista de 7 de setembro de 2021 no DF - Foto: Divulgação

Segundo o jornal Valor Econômico, um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu na manhã desta terça-feira (7) a estimativa de público de 150 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Alguns observadores chegaram a estimar em menos de 100 mil. Isso equivale a 5% do total previsto por bolsonaristas em áudios e vídeos que circularam nas redes às vésperas do 7 de setembro. Informações oficiais sobre o número de manifestantes não foram divulgadas.

“Pelas imagens aéreas, com todo dinheiro investido, toda estrutura governamental envolvida, o público é pequeno. Muito caminhão, máquinas, mas POVO, praticamente nada. São manifestantes que vieram em excursões para Brasília, pagas por alguém”, postou o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).

Muitos observaram também o fato de a mobilização em Brasília ter sido planejada há alguns meses, contando ainda com forte suporte financeiro. Reportagem do site The Intercept Brasil, publicada em 21 de agosto, mostrava que ruralistas estavam entre os organizadores dos atos. Eles chegaram a impetrar um habeas corpus no STF para garantir a realização de um acampamento com 10 mil pessoas para permanecer um mês na capital federal. Esperavam ainda 2 milhões de pessoas hoje em Brasília, o que não ocorreu.

Outra reportagem, publicada pelo portal UOL no domingo, mostrava que grupos bolsonaristas mantinham ao menos nove contas bancárias para financiar atos em 7 de setembro. Dar suporte financeiro a organização de manifestações não é ilegal, mas quando o objetivo é praticar ou incitar crimes, a organização logística é considerada ilícita.

A Folha de São Paulo publicou um vídeo que circula pelas redes sociais mostrando um homem entregando dinheiro a manifestantes bolsonaristas em um ônibus.

“Olha isso, cara. Eu achei que era brincadeira. Uma camiseta para cada um, mais o ônibus, mais R$ 100 para alimentação. Esse é o nosso grupo Jacto de Pompeia“, diz um outro homem, que realiza a filmagem.
A Jacto é uma empresa que fabrica máquinas agrícolas em Pompeia, no interior de São Paulo.

Segundo a Folha, circulou nas redes sociais a informação de que a Jacto pagaria o transporte de ônibus para levar manifestantes aos atos. Para conseguir uma vaga, bastaria entrar em contato com a empresa.

Em Rondônia, produtores agrícolas também ofereceram dinheiro e transporte para levar pessoas até o ato bolsonarista. Em mensagens no whatsapp, prometiam R$ 1 mil reais para quem fosse à manifestação anti-democrática.

Produtor rural paga R$ 1 mil para quem for à protesto contra STF em Brasília – Foto: Reprodução WhatsApp

Mourão fala em seguir em frente honrando a liberdade

O vice-presidente Hamilton Mourão publicou no final da manhã desta terça-feira (7) uma mensagem em homenagem ao feriado de 7 de Setembro. Ele não mencionou o fiasco dos atos bolsonaristas que acontecem pelo Brasil, com ameaças à democracia e às instituições, e defendeu apenas que o país “siga em frente”. Leia a mensagem abaixo:

“Em 7 Set 1822, o Brasil declarou sua Independência e cresce a cada dia, cuidando do seu bem maior: o brasileiro. Somos um país jovem e uma democracia plena, fruto das lutas dos nossos antepassados. Sigamos em frente, honrando o legado de liberdade e respeitando nosso povo.”

Hamilton Mourão – Foto: Adriano Machado/Reuters

Ameaças de Bolsonaro ao STF

Presente no ato em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro voltou a ameaçar o Supremo Tribunal Federal. “Ou o chefe desse Poder enquadra o seu (ministro) ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos”, disse ele, em recado endereçado ao presidente do STF, ministro Luiz Fux, sobre as recentes decisões do ministro Alexandre de Moraes contra apoiadores do presidente.

“Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair”, disse ainda Bolsonaro.

O presidente do STF até o momento não se manifestou.