Política

Marcos Rogério acerta aliado de Bolsonaro ao citar precatórios de Rondônia na CPI da Pandemia

Marcos Tolentino é suspeito de comprar precatórios de uma ação cujo advogado é aliado de Bolsonaro.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 14/09/2021 - 18:49 • Atualizado 19:00
Marcos Rogério acerta aliado de Bolsonaro ao citar precatórios de Rondônia na CPI da Pandemia
Senador Marcos Rogério na CPI da Pandemia - Foto: Divulgação

Na tarde desta terça-feira (14) a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPI da Pandemia)  ouviu o depoimento do advogado Marcos Tolentino da Silva, apontado como sócio oculto da empresa FIB Bank Garantias S.A.

O empresário foi convocado porque a FIB Bank forneceu à Precisa Medicamentos uma garantia irregular no negócio de compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Marcos Tolentino usou, na maior parte do depoimento, o direito ao silêncio garantido por decisão da ministra Carmen Lúcia, do STF.

Marcos Tolentino depondo na CPI da Pandemia – Foto: Reprodução TV Senado

O questionamento de Marcos Rogério

Em determinado momento da CPI, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) lembrou que, entre as irregularidades cometidas, o FIB Bank teria usado precatórios de Rondônia como garantia para transações financeiras.

A colocação teve como suposto propósito sugerir que o Governo Federal teria sido enganado por Tolentino, apontado como sócio oculto de uma empresa que é um empreendimento nebuloso.

Um outro objetivo, mencionado por Marcos Rogério, é lembrar que estes precatórios fazem parte de uma ação do Sintero (Sindicato dos Trabalhadores na Educação de Rondônia), uma entidade historicamente ligada à esquerda política no estado que o senador foi eleito. Tradicionalmente, Marcos Rogério, candidato eleito por conservadores e evangélicos, constuma atacar a esquerda quando pode.

Só que desta vez, sem se lembrar de um importante detalhe, Marcos Rogério acabou acertando um dos principais aliados de Jair Bolsonaro.

O advogado que moveu a ação dos precatórios é um político e empresário milionário de Brasília, conhecido na esfera do poder como o segundo maior doador de campanhas no Distrito Federal.

Ele é também vice-presidente do projeto de partido Aliança pelo Brasil, uma tentativa mal sucedida de criar um partido que servisse aos propósitos de Jair Bolsonaro e famíllia.

O advogado de Brasília é primeiro suplente de senador e é investigado em duas ações que podem gerar muitos problemas para ele, caso sejam julgadas sem ele garantir um mandato político que o salve da prisão.

Uma delas, que tramita no STF, é sobre a questão do financiamento de atos contra o Supremo Tribunal Federal, no qual foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal como um dos principais suspeitos de suposto envolvimento.

A outra ação tramita na 3ª Vara Criminal da Justiça Federal de Rondônia e investiga a suspeita de corrupção ativa e lavagem de dinheiro na questão da ação dos precatórios.

A denúncia contra o advogado milionário de Brasília foi assinada pelo então vice-procurador-geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada.

De acordo com o MPF, o advogado é suspeito de ter pago suposta propina no valor de R$ 800 mil ao ex-desembargador Vulmar de Araújo Coelho Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, em Rondônia.

Após a decisão favorável à indenização dos servidores da educação de Rondônia, segundo relatos de servidores da época, o advogado teria indicado uma empresa, ligada a Marcos Tolentino, para comprar os precatórios de quem quisesse vendê-los.

Segundo os servidores públicos da época, a empresa pagava valores bem abaixo do valor jurídico da ação. Mas, por pressa em receber o dinheiro, os servidores aceitavam.

Nesta etapa, os senadores da CPI da Pandemia estão analisando apenas as irregularidades cometidas no tocante a gestão das ações anti-Covid no Governo Federal, mas, pelo que foi falado na tarde desta terça-feira (14) , os senadores deram sinais de que numa fase posterior, as outras denúncias podem ser alvo de investigação.