Política

VÍDEO – Bolsonaro discursa na ONU e é duramente criticado no mundo e no Brasil

Assista o discurso na íntegra e saiba o que os principais jornais nacionais e internacionais comentaram.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 21/09/2021 - 15:36 • Atualizado 23/09/2021 - 00:58
VÍDEO – Bolsonaro discursa na ONU e é duramente criticado no mundo e no Brasil
Bolsonaro discursando na ONU - Foto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro discursou na abertura da 76ª edição da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) na manhã desta terça-feira (21).

Parte do texto teve uma tentativa de mostrar moderação, o que demonstra a influência do Ministério das Relações Exteriores, no qual Bolsonaro ressaltou o número de vacinados e as ações do governo federal para o desenvolvimento econômico e sustentável.

Outra parte demonstrou o pensamento de Bolsonaro, defendendo o tratamento precoce contra a Covid-19, exaltando as manifestações antidemocráticas de 7 de Setembro, criticando o passaporte sanitário, atacando a imprensa e tentando convencer de que o Brasil estava se tornando um país socialista.

VEJA O VÍDEO COM O DISCURSO NA ÍNTEGRA:

“Não entendemos porque muitos países juntamente com grande parte mídia se colocaram contra o tratamento inicial”, disse o chefe do Executivo brasileiro em Nova York. “A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”, completou.

“Apoiamos a vacinação, contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina. Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina.”

Sobre as manifestações do 7 de Setembro, Bolsonaro disse que foram as “maiores da história”, e que milhões de brasileiros foram às ruas para mostrar que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao governo.

Trechos do discurso 

Ataques à imprensa — “Venho aqui mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões” e “Não entendemos porque muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial”;

Infraestrutura — “Em nosso governo, promovemos o ressurgimento do modal ferroviário”;

Meio ambiente — “Na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior. Qual país do mundo tem uma política de preservação ambiental como a nossa?”;

Ideologia — “O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e seus militares, valoriza a família e deve lealdade a seu povo. Isso é muito, é uma sólida base, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo”;

Vacinação — “Até o momento, o Governo Federal distribuiu mais de 260 milhões de doses de vacinas e mais de 140 milhões de brasileiros já receberam, pelo menos, a 1ª dose, o que representa quase 90% da população adulta. 80% da população indígena também já foi totalmente vacinada. Até novembro, todos que escolheram ser vacinados no Brasil, serão atendidos”;

Manifestações 07/09 — “No último 7 de setembro, data de nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história, mostrar que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao nosso governo. Como demonstrado, o Brasil vive novos tempos”;

Afeganistão — “O futuro do Afeganistão também nos causa profunda apreensão. Concederemos visto humanitário para cristãos, mulheres, crianças e juízes afegãos”.

Clarín sobre discurso de Bolsonaro – Foto: Reprodução

 A repercussão negativa no mundo e no Brasil

No Brasil, os principais jornais classificaram o discurso de Jair Bolsonaro como tendencioso e mentiroso.

A Folha de São Paulo publicou reportagem em conjunto com a Agência Lupa de verificação de Fake News, desmentindo diversos pontos colocados pelo presidente do Brasil. Um dos principais tópicos destacados como falsos estão a de que as manifestações pró-Bolsonaro teriam sido as maiores da história do Brasil, quando, na realidade foram muito menores do que as que pediram o impeachment da Dilma, além de terem sido financiadas pelo agronegócio.

Outro ponto destacado como falso pela matéria da Folha é de que não houve nenhum “caso concreto de corrupção” desde o início do governo Bolsonaro.

A publicação lembra que denúncias de irregularidades reveladas desde janeiro de 2019 já levaram ao cancelamento de contratos para a compra de laptops para escolas públicas e para a aquisição de vacinas contra a Covid-19, à exoneração de um diretor do Ministério da Saúde suspeito de cobrar propina e ao afastamento do vice-líder do governo no Senado, flagrado pela Polícia Federal escondendo dinheiro na cueca.

A Folha também cita que denúncias de corrupção e cobrança de propina na compra de vacinas indianas no início deste ano, também estão sob investigação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado e pelo MPF (Ministério Público Federal).

O jornal O Globo, num duro artigo de opinião com o título “A realidade paralela de Bolsonaro em seu discurso na ONU” destaca o seguinte:

“No universo paralelo de Bolsonaro, o Brasil hoje se apresenta como “um dos melhores destinos” para o capital. No mundo duro dos fatos, os investimentos diretos caíram pela metade em 2020 e, embora tenha havido recuperação este ano, os investidores resistem a apostar aqui em virtude do cenário político conturbado por ele próprio.”

A imprensa internacional também fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro, classificando-o como “figura controversa” e “provocador”.

O jornal americano New York Times escreveu que “não vacinado e provocador, Bolsonaro tentou evitar críticas em discurso da ONU”. A publicação ressaltou que o presidente brasileiro defendeu o uso de drogas ineficazes contra o coronavírus e resistiu aos ataques ao desempenho ambiental de seu governo.

O também norte-americano Washington Post, de cunho conservador, destacou que o “não vacinado Bolsonaro, do Brasil, parece quebrar o ‘sistema de honra’ da vacina das Nações Unidas durante o discurso”. O periódico classificou sua abertura como “desafiadoramente estranha para um evento que deve focar principalmente na resposta global à pandemia”.

A rede americana CNN, por sua vez, afirmou que Bolsonaro, a quem chamou de “líder populista conservador”, defendeu o tratamento precoce contra a Covid-19 e tentou apresentar “um novo Brasil cuja credibilidade foi recuperada no mundo — muito diferente do país devastado pelo coronavírus e pelos incêndios na Amazônia”.

O  britânico The Guardian publicou que Bolsonaro promoveu o tratamento precoce em seu discurso. Segundo o jornal, o presidente brasileiro provou ser uma “figura controversa durante a pandemia” ao minimizar os impactos da Covid-19 e ao se recusar a receber o imunizante.

A rede de TV Al-Jazeera, a maior com sede no Oriente Médio, ressaltou que o “líder de extrema direita” condenou as restrições impostas pelo coronavírus que, segundo ele, “prejudicaram as economias”. Também destacou a defesa feita por Bolsonaro das leis ambientais brasileiras, lembrando que seu governo foi criticado por aumentar o desmatamento.

O argentino Clarín escreveu que Bolsonaro se dirigiu ao ex-presidente Lula, que lidera as intenções de voto para o pleito de 2022 em pesquisas prévias, ao dizer que o Brasil estava à beira do socialismo. A publicação também mencionou que o presidente disse não haver corrupção em seu governo, “investigado por um escândalo na tentativa de compra fraudulenta de vacinas”.

Com informações do Poder 360, O Globo e Folha de São Paulo