Política

VÍDEOS – Queiroga dá “cotoco” a manifestantes anti-Bolsonaro em Nova York

Confira os vídeos dos outros protestos e situações envolvendo a comitiva de Bolsonaro em Nova York.

Rondonia Já com informações da Folha de São Paulo

terça-feira, 21/09/2021 - 06:29 • Atualizado 23/09/2021 - 01:00
VÍDEOS – Queiroga dá “cotoco” a manifestantes anti-Bolsonaro em Nova York
O Ministro da Saúde fez gesto obsceno contra manifestantes em NY - Foto: reprodução redes sociais

A saída da comitiva de Jair Bolsonaro de uma recepção em Nova York, na noite de segunda-feira (20), teve um princípio de confusão com manifestantes contrários ao presidente.

Um grupo de cerca de dez pessoas gritava palavras de ordem contra o mandatário, como “genocida” e “assassino”, em frente à residência da missão brasileira junto à ONU (Organização das Nações Unidas), no Upper East Side. Bolsonaro jantou no local e já tinha presenciado o protesto ao chegar à recepção —ele fez um sinal de “menos” com as mãos para o grupo.

VEJA O VÍDEO:

Ao lado dos manifestantes estava um caminhão com um telão que havia circulado o dia todo pelas ruas de Nova York exibindo mensagens como “Bolsonaro is burning the Amazon” (Bolsonaro está queimando a Amazônia, em inglês). O veículo rondou os quarteirões vizinhos ao prédio onde o presidente estava durante o jantar.

No telão da van, outras mensagens exibidas chamavam Bolsonaro de criminoso ambiental, perdedor, sujo e mentiroso. O veículo percorreu as vias mais movimentadas de Nova York.

VEJA O VÍDEO:

Ao sair do local, Bolsonaro interrompeu sua comitiva e começou a gravar um vídeo, com a ajuda de um auxiliar, mostrando os ativistas ao fundo e apontando para eles, o que irritou o grupo. O presidente provocou mais ainda, dizendo que os manifestantes deveriam estar num país socialista, ao invés dos Estados Unidos.

VEJA O VÍDEO:

Depois de alguns minutos, o mandatário entrou em seu carro para ir embora, protegido pela escolta. Enquanto os veículos partiam, um caminhão dirigido pelos manifestantes tentou se colocar no meio da comitiva e travar a saída de uma van que levava convidados do presidente.

Seguranças que monitoravam o deslocamento, na calçada, intervieram para permitir a saída das vans restantes.

Alguns dos convidados de Bolsonaro responderam aos manifestantes antes de entrar nos veículos, fazendo gestos com as mãos e batendo nos vidros enquanto um dos automóveis ia embora. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de dentro de uma van, chegou a se levantar do assento e dar um “cotoco” para os manifestantes, que responderam com gritos e fazendo o mesmo gesto.

VEJA O VÍDEO:

Uma das participantes do protesto que filmou o gesto obsceno de Queiroga, Leticia Graça, afirmou: “É um retrato do que esse governo é e de como é a sua gestão. Um ministro da Saúde que dá o dedo a uma manifestação pacífica não leva sua população a sério. Para eles, quase 600 mil mortes pela Covid é uma grande brincadeira”.

O presidente não falou com a imprensa. Depois da confusão, os manifestantes deixaram o local. Eles prometeram estar desde as 6h30 (horário local; 7h30 do Brasil) desta terça (21) nos acessos ao prédio da ONU para novos protestos.

Bolsonaro fará o discurso de abertura da Assembleia-Geral, logo após as 10h (de Brasília).

Pouco depois da confusão, ele publicou no Facebook o vídeo que gravou na saída do jantar, com o título “meia dúzia de acéfalos protesta contra Jair Bolsonaro para delírio de parte da imprensa brasileira”.

O mandatário mostra a cena e narra que os manifestantes faziam um “escarcéu” e estavam “fora de si”. “Esse bando nem sabe o que está falando ali. Deviam estar num país socialista, não aqui nos EUA”, afirma. Ele depois conversa com um apoiador e uma terceira pessoa, não identificada, diz que havia mais repórteres do que manifestantes.

A intervenção com os caminhões foi elaborada por um grupo de ativistas brasileiros e americanos e financiada por organizações não governamentais ligadas ao meio ambiente e à defesa da democracia no Brasil.

Caminhão-telão com ação de ativistas contra o discurso de Bolsonaro na ONU na Times Square, na tarde desta segunda – Foto: Thiago Dezan/Folha de São Paulo

A ação é capitaneada pelas organizações Amazon Watch e US Network for Democracy in Brazil (Rede dos Estados Unidos pela Democracia no Brasil), que estimam terem gasto US$ 1.800 (cerca de R$ 9.500) por dia de intervenção. Outras organizações envolvidas na iniciativa preferiram o anonimato para evitar retaliações do governo brasileiro.

Os veículos circularam nesta segunda e repetirão a dose na terça.

Outros protestos e situações

Manifestantes anti-Bolsonaro também fizeram o presidente do Brasil passar por outras situações vexatórias, chamando-o de genocida. Na chegada dele ao Hotel Intercontinental Barclay, onde está hospedado, no domingo 19), preferiu não confrontar o protesto e entrou pelos fundos do hotel, por recomendação do Serviço Secreto americano.

VEJA O VÍDEO:

Já na segunda-feira (20), Jair Bolsonaro, o único líder do G-20 não vacinado, para driblar a exigência de comprovante de vacinação dos restaurantes de Nova York, preferiu comer pizza na rua.

Bolsonaro comendo pizza na rua em NY – Foto: Reprodução Twitter

Mais adiante, uma churrascaria de NY improvisou um “puxadinho” na calçada da rua para atender o presidente do Brasil.

Por não estar imunizado contra a covid-19 e para driblar as restrições sanitárias, foram colocadas mesas na calçada, grades e um tapume para receber Bolsonaro e comitiva.

Participaram do almoço os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e do Meio Ambiente, Joaquim Leite, o chanceler Carlos França e o general Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Em entrevista à BBC, o gerente da churrascaria Francisco Kappa informou que Bolsonaro ficou no ambiente externo para atender às medidas para pessoas não vacinadas contra a covid-19. “Arrumamos tudo para ele poder vir almoçar com a gente nesse dia do gaúcho. Ele fez questão de sentar do lado de fora, até porque do lado de dentro a gente não deixaria, porque violaria a lei de Nova York”, disse.

Puxadinho em churrascaria para atender Bolsonaro em NY – Foto: Reprodução Redes Sociais

Apesar de Bolsonaro estar hospedado no mesmo hotel que Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos não agendou nenhuma reunião com o presidente do Brasil.

Em termos de chefes de estado de importância mundial, Bolsonaro só conseguiu até agora falar com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnsson, que recomendou ao presidente se vacinar com a AstraZeneca, a vacina inglesa de Oxford.