Política

“Nada está tão ruim que não possa piorar” diz Bolsonaro nos mil dias de governo – VÍDEO

Alta do gás, combustíveis, dólar e inflação é motivo da fala de Bolsonaro que abordou também os militares.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

segunda-feira, 27/09/2021 - 17:28 • Atualizado 28/09/2021 - 00:57
“Nada está tão ruim que não possa piorar” diz Bolsonaro nos mil dias de governo – VÍDEO
Jair Bolsonaro e os mil dias - Foto: Divulgação

Na solenidade dos mil dias de seu governo, realizada no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (27), Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que os problemas econômicos enfrentados na sua gestão, sobretudo a inflação no preço dos combustíveis, são uma realidade mundial e não acontecem por ‘maldade’, mas, o presidente fez questão de esclarecer que “nada está tão ruim que não possa piorar”.

O trecho completo da fala está transcrito abaixo:

“Mas nós temos o percurso, temos muitos obstáculos. São intransponíveis? Não, mas depende do entendimento de cada um. Alguém acha que eu não queria a gasolina a R$ 4 ou menos? O dólar a R$ 4,50 ou menos? Não é maldade da nossa parte, é uma realidade. E tem um ditado que diz: Nada está tão ruim que não possa piorar. Não queremos isso porque temos o coração aberto, e tem uma passagem bíblica que diz: “Nada temeis, nem mesmo a morte, a não ser a morte eterna“.

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Terceirização da culpa pela alta de preços

Durante o evento, Bolsonaro seguiu a tendência já conhecida em seus discursos de terceirizar a culpa. Desta vez, o vilão dos problemas econômicos é a pandemia, ao afirmar que muitos países do mundo estão enfrentando problemas parecidos. O presidente também procurou minimizar a própria responsabilidade pelo cenário de alta de preços no Brasil:

“Mil dias de governo, com uma pandemia que muitos acham que o que acontece hoje em relação à economia, preço de combustíveis, entre outros problemas, está acontecendo porque eu sou o presidente e não pelo que passamos, estamos passando”.

Já em relação ao preço cada vez maior dos combustíveis, Bolsonaro, desta vez, não mencionou governadores e nem ICMS, mas, buscou convencer que a Petrobrás, do qual o Governo Federal é o maior acionista, é a responsável pelo valor que sobe cada vez mais em razão do arcabouço normativo que rege a atuação da estatal.

O presidente falou que, no início do ano, pressionou a Petrobrás a não aumentar o preço da gasolina, o que levou à troca da presidência da empresa.

Segundo Bolsonaro, embora o grande acionista da empresa seja o governo federal, ele não possui o poder de decidir coisas dentro da empresa. O presidente disse que, no momento da troca de presidentes, a Petrobras perdeu “dezenas de bilhões de reais” em seu valor na Bolsa de Valores.

O que Bolsonaro não disse é que até 2016 o preço dos combustíveis era congelado pelo Governo Federal, o que gerava críticas pesadas do mercado financeiro, mas, refletia em um valor justo aos brasileiros, que mesmo assim reclamavam. Quando Michel Temer assumiu, o valor dos combustíveis passou a acompanhar o dólar e o mercado, critério adotado até hoje e, sim, um critério adotado pelo atual Governo Federal.

As Forças Armadas e possibilidade de golpe

No mesmo evento,  Jair Bolsonaro disse que as Forças Armadas não cumpririam “uma ordem absurda” dada por ele:

“As Forças Armadas estão aqui. Elas estão ao meu comando, sim, ao meu comando. Se eu der uma ordem absurda, elas vão cumprir? Não. Nem a mim nem a governo nenhum. E as Forças Armadas têm que ser tratadas com respeito”.

“Quando criaram a [pasta da] Defesa em 1999 não foi por uma necessidade militar, foi por uma imposição política, para tirar os militares deste prédio [Palácio do Planalto]”, falou o presidente, que também citou:

“Alguns criticam que eu botei militar demais [no governo], mais até, proporcionalmente, do que os governos [militares] de Castello Branco a Figueiredo. Sim, é verdade, é meu círculo de amizade. Assim como de outros presidentes foram outras pessoas, era o círculo de amizades deles.”

O desejo antigo de dar um golpe

Quando Bolsonaro era um obscuro deputado federal, foi entrevistado num desconhecido programa de televisão e expressou o sonho de fechar o Congresso e se tornar ditador, caso um dia fosse eleito presidente.

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Nos atos antidemocráticos de 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro chegou a gravar vídeos divulgados no whatsapp chamando as pessoas para as manifestações e também discursou em Brasília e na Avenida Paulista, em São Paulo, onde atacou as instituições.

Após perceber que poderia sofrer impeachment, recuou e recorreu ao ex-presidente Michel Temer, que elaborou uma carta onde procurou amenizar o tom do outrora discurso golpista.

Bolsonaro também gravou um áudio pedindo aos caminhoneiros para encerrar os bloqueios e foi alvo de paródia do humorista Marcelo Adnet.

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