Política

VÍDEOS – Um dia após pedir trégua, Ciro Gomes ataca novamente o PT e Lula

Ciro comparou a situação do ministro Paulo Guedes, que tem conta em paraíso fiscal, com a de um ex-integrante do governo Lula.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

terça-feira, 05/10/2021 - 03:49 • Atualizado 06/10/2021 - 03:05
VÍDEOS – Um dia após pedir trégua, Ciro Gomes ataca novamente o PT e Lula
Ciro Gomes anunciando live do Cirão no #CiroGames - Foto: Reprodução Twitter

Ciro Gomes, não conseguiu cumprir o que ele mesmo pediu e voltou a atacar Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Por volta das 21h30 (horário de Brasília) de segunda-feira (4), o candidato à presidência da República pelo PDT postou um tuíte com a seguinte frase:

“Enquanto isto, o PT ataca Guedes porque, ministro da Fazenda de Bolsonaro, tem sua fortuna num paraíso fiscal ! Presidente do Banco Central de Bolsonaro também. Nos últimos 20 anos, mais de 250 BILHÕES DE DÓLARES foram tirados do Brasil pelos amigos dos Reis que nos governam.”

Abaixo da frase, Ciro postou também um vídeo com uma entrevista dele na Globo News, durante os debates com os candidatos à presidência em 2018. Nesta gravação, Ciro diz o seguinte:

“No Banco Central brasileiro, a turma quer defender autonomia, mas, ele foi governado nos oito anos do governo Lula pelo Banco de Boston, que é o (Henrique) Meireles (ex-presidente Banco Central na gestão Lula), cuja poupança pessoal é guardada num paraíso fiscal.

Só no Brasil, um ministro da Fazenda, presidente do Banco Central, guarda sua poupança, mais de uma centena de milhões de dólares, num paraíso fiscal.

Uma autoridade encarregada de cobrar imposto, autoridade encarregada de vigiar taxa de câmbio, guarda sua própria poupança num paraíso fiscal e, pronto, tá tudo certo no Brasil.”

No final do vídeo, um dos entrevistadores pergunta “esses privilégios?” Ciro responde “vai acabar tudo.”

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A indireta a Lula e ao PT

O ataque não é direto a Lula e ao PT, mas indiretamente Ciro insinua que o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula seriam coniventes com a situação descrita pelo pedetista.

A gravação, apesar de ter sido feita em 2018, trazida para o contexto atual, como Ciro fez, se torna uma comparação da época em que Henrique Meireles era presidente do Banco Central, na gestão de Lula, com o caso do atual ministro da Fazenda, Paulo Guedes, cujo levantamento do mais novo escândalo, o Panamá Papers, revela que o super ministro bolsonarista tem milhões de dólares em um paraíso fiscal. O que não é ilegal, mas, com certeza, é imoral.

O que mais chama a atenção neste tuíte de Ciro Gomes é que ele foi feito 24 horas após ele ter dado uma entrevista coletiva pedindo uma “trégua de Natal” a Lula e ao PT. O pedido foi feito depois que Ciro foi vaiado em dois comícios dos atos Fora Bolsonaro, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em um dos protestos, manifestantes ameaçaram agredir Ciro Gomes e arremessaram pedaços de pau no carro dele, após ele ter comparado os petistas ao Cabo Anselmo, agente duplo da ditadura militar.

Na coletiva, Ciro justificou o pedido de trégua dizendo que ela era necessária para combater Jair Bolsonaro, classificado pelo político pedetista como “uma espécie de cobra, uma víbora venenosa que vai esperar a hora de dar o bote”.

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Senador chama Ciro de “poeta do mal”

Uma hora antes do tuíte de Ciro Gomes, a colunista Mônica Bergamo publicou na Folha de São Paulo uma reportagem com o senador Eunício Oliveira (MDB-CE), que é adversário do pedetista.

A colunista informa que o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB) disse que Ciro Gomes (PDT) é um “poeta do mal” e “cantador de viola” que convence poucos com sua proposta de cessar-fogo contra o PT. Após ser vaiado durante protesto na avenida Paulista, o pedetista pediu uma “trégua de Natal, como nas guerras” para combater o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“O João Santana [marqueteiro de Ciro] pode mudar a imagem, mas não muda gênio nem gênero. E quem já está desgastado pelo gênio, não conserta mais. O cara chamou todo mundo de ladrão, agora vão achar que ele está dizendo a verdade?”, afirma Eunício.

Nesta quarta (6), o emedebista receberá o ex-presidente Lula (PT) para um jantar em sua casa. No cardápio, estão previstos frutos do mar e carne de cordeiro.

Eunício Oliveira – Foto: Divulgação

Haddad falou sobre Ciro

Horas antes do tuíte de Ciro Gomes, o ex-candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, foi entrevistado pelo portal UOL.

Na entrevista, o ex-prefeito de São Paulo disse o seguinte:

“O Ciro Gomes vem agredido verbalmente a mim, a presidenta (do PT) Gleisi (Hoffmann) e ao presidente Lula há três anos, e você nunca ouviu da minha parte uma menção desabonadora à figura dele.”

Sobre a proposta de trégua, Haddad, como se já pressentisse algo, também falou:

“Espero que não seja até o final desse ano. Essa trégua tem que selar uma paz definitiva. É muito chato você ver uma pessoa que estava com você até outro dia no governo te agredir. Eu fui ministro com Ciro Gomes. Quase compusemos uma chapa em 2018”.

O petista afirmou que os partidos de oposição precisam se unir para derrotar Bolsonaro em 2022.
Para ele, é preciso evitar uma desunião entre os progressistas, como a que ocorreu em 2018, na vitória do atual chefe do Executivo federal.

“Se nós, os democratas do país, não tivermos um compromisso com justiça social e democracia, fica mais difícil. Se fizermos um pacto em relação a esses dois pilares, a gente tem grande de tirar o país da crise definitivamente”, disse.

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