Saúde

Pacientes no chão do maior Pronto Socorro de RO – Aglomeração está liberada pelo Governo

Os pacientes foram acomodados no chão do PS João Paulo II por causa da superlotação na unidade. A preocupação agora é o que vai acontecer após o decreto que libera a aglomeração em festas e shows.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sexta-feira, 18/06/2021 - 15:07 • Atualizado 20/06/2021 - 17:21
Pacientes no chão do maior Pronto Socorro de RO – Aglomeração está liberada pelo Governo
Pacientes no chão do PS João Paulo II em RO - Foto: Jerrimar Monteiro

O Pronto Socorro e Hospital João Paulo II, em Porto Velho, o principal de Rondônia para os casos de emergência, amanheceu nesta sexta-feira (18) com a lotação esgotada. Nos corredores do PS, os pacientes precisaram ser acomodados no chão, em leitos improvisados. O vídeo abaixo, feito por um dos enfermeiros, mostra a difícil situação em que se encontram os internados da unidade:

João Paulo II superlotado

A superlotação no Hospital e Pronto Socorro João Paulo II não é incomum, porque a unidade recebe todos os casos de urgência e emergência de Rondônia, sendo a principal referência neste tipo de atendimento no estado, mas, por causa da pandemia de Covid-19, a quantidade de pacientes vem aumentando cada vez mais, segundo a equipe de enfermeiros do PS, e o resultado é que não tem mais como acomodar de forma adequada as pessoas atendidas na unidade. A única alternativa dos profissionais de saúde, é fazer do chão dos corredores do Pronto Socorro uma ala de atendimento

Com o Decreto 26.134 publicado na quinta-feira (17) pelo governador Coronel Marcos Rocha (PSL), a previsão da equipe de saúde do PS é que a superlotação do João Paulo II, que já está crítica, fique ainda pior.

O enfermeiro Jerrimar Soares Montenegro, que pertence ao Sindicato da categoria, o Sinderon, fez um vídeo alertando sobre a possibilidade do novo decreto provocar o caos numa das principais unidades de saúde de Rondônia.

O novo decreto

O novo decreto libera eventos com até 999 pessoas, em bares, boates e casas de show, com distribuição de bebidas alcóolicas. O resultado desta liberação não é difícil de prever: aglomeração geral em todos os eventos de Rondônia.

No artigo, estão definidos alguns critérios como o uso de máscara, apresentação de teste negativo de Covid-19. Bem ao estilo de Jair Bolsonaro, que costuma terceirizar as próprias responsabilidades, neste novo documento Marcos Rocha também imita sua fonte de inspiração e passa para as prefeituras de cada município a tarefa de fiscalizar os eventos, como se isto fosse possível numa situação de liberação geral das aglomerações.

No mesmo dia em que o governador  Marcos Rocha publicou o decreto, Rondônia passou de 6 mil mortes desde o começo da pandemia. Por este fato, é possível perceber que a preocupação do governador não é a saúde da população, mas, sim, os interesses dos empresários do ramo do entretenimento.

Pacientes nos corredores do JPII – Foto: Jerrimar Soares Monteiro

 

Nota do Coren/RO sobre o Decreto

O Conselho Regional de Enfermagem de Rondônia (Coren-RO) manifesta completa discordância com o Decreto nº 26.134, publicado pelo governo do Estado na quinta-feira (17) liberando a realização de eventos com até 999 pessoas e a reabertura de boates. O decreto incentiva a aglomeração de pessoas em meio à pandemia, e vai contra todas as medidas de segurança e prevenção ao coranavírus recomendadas pela ciência e Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em Rondônia, os números de novos casos e mortes por Covid-19 apresentam uma constante “gangorra”, com dias de índices em baixa e dias de nova crescente. As cepas também evoluem e se espalham no país com a mesma velocidade em que tiram vidas. Já são mais 490 mil óbitos em todo o Brasil.

É vergonhoso que uma gestão de Estado não dê a mínima importância para todas essas questões e resolva jogar toda a responsabilidade para as prefeituras que ainda estão tentando administrar e vacinar os grupos de risco, como é o caso de Porto Velho. Com uma campanha lenta de imunização na maior parte das cidades, considerando principalmente a capital como a que mais registra casos de contaminação e mortes pelo vírus, o governo resolveu “lavar as mãos” para a saúde pública.

O Coren-RO reafirma o compromisso com a Enfermagem do Estado, sabendo que o retorno de todas as atividades citadas no decreto, como a reabertura de boates, poderá favorecer diretamente no surgimento de uma terceira onda que, além de ceifar vidas humanas, poderá levar ao colapso da rede de saúde e ainda a um maior esgotamento dos profissionais de saúde.