Saúde

VIDEO: Após transferências, Hospital João Paulo II continua com pacientes no chão

Pelo segundo dia seguido, o Hospital e Pronto Socorro João Paulo II, em Porto Velho, permanece com pacientes sendo atendidos no chão dos corredores.

Por Marcelo Winter - Rondônia Já

sexta-feira, 16/07/2021 - 21:57 • Atualizado 18/07/2021 - 07:14
VIDEO: Após transferências, Hospital João Paulo II continua com pacientes no chão
Pacientes no chão do corredor do JPII - Foto: filmagem

Na noite de quinta-feira (15), horas depois da divulgação feita pelo Rondoniaja.com que o Hospital João Paulo II estava com superlotação e pessoas sendo atendidas no chão dos corredores da unidade, o secretário estadual de Saúde, Fernando Máximo, realizou uma operação Esvazia João Paulo, para transferir os pacientes para outros Hospitais, públicos e particulares. Em 16 de junho, o Governo de Rondônia também fez uma operação semelhante pelo mesmo motivo: a superlotação do JPII. Um total aproximado de 30 pessoas foram transferidas até a madrugada de sexta-feira (16).

Superlotação nova

Mesmo com as transferências, o Hospital João Paulo II ficou superlotado novamente no decorrer da sexta-feira (16).

O vídeo abaixo mostra os pacientes atendidos nos corredores da unidade, com apenas uma diferença, ao invés de lençóis estendidos no chão, macas foram improvisadas como se fossem leitos.

 

O relato de uma paciente

Neide Andrade tem suspeita de fibromialgia. Nesta semana, ela procurou o João Paulo II, por causa das fortes dores nas costas e no corpo. Foi necessário ser internada na unidade. Durante 3 dias, ficou no corredor do Hospital, num lençol estendido sobre o chão. Após este período, conseguiu uma cadeira, onde permaneceu até esta sexta-feira (16).

No período em que estava internada dentro do Hospital, viu várias pessoas na mesma situação e durante dias seguidos. Por telefone, Neide relatou ao site Rondonia.com que soube, através dos auxiliares de enfermagem e enfermeiros, que havia ordem expressa da Chefia de enfermagem do Hospital para que não fosse disponibilizado nenhum colchão ou maca aos pacientes nos corredores. A paciente filmou, ainda na noite de quinta-feira (15), o vídeo abaixo, mostrando a situação difícil, quase desumana, em que ficam os internados no João Paulo II:

 

O Sideron

O integrante do Sindicato de Enfermagem de Rondônia, enfermeiro Jerrimar Soares, disse ao Rondoniaja.com que a superlotação do João Paulo II é inevitável, mas, pode ser amenizada, caso a Secretaria de Saúde de Rondônia dê mais atenção ao assunto. Jerrimar citou como exemplo uma ala nova no Cemetron que não está ainda sendo utilizada. Veja o vídeo abaixo:

O histórico da superlotação

O João Paulo II foi construído no começo da década de 80 como compensação da obra da Hidrelétrica Samuel. Naquele período, a população era muito menor e mesmo assim, a superlotação já existia.

Durante a obra das Usinas do Rio Madeira, a compensação previa a entrega de um Hospital ao Governo de Rondônia, no município de Porto Velho, mas, o então governador Ivo Cassol fez uma forte pressão para a construção ser feita em Cacoal, alegando que parte dos internados do João Paulo II vinham do interior.

Na realidade, a base eleitoral de Ivo Cassol era o interior do estado, por isto, a preferência pela conclusão do Hospital Regional de Cacoal, no que foi, surpreendentemente atendido sem nenhuma oposição das autoridades fiscalizadoras.

O governador que o sucedeu, o médico Confúcio Moura, começou a construir o Heuro de Porto Velho, Hospital de Emergência e Urgência, mas, logo no começo da obra começaram os problemas com os órgãos fiscalizadores, que encontraram evidências de corrupção no projeto da obra, sendo alvo da Operação Murídeos (ratos) da Polícia Federal.

De lá para cá, novos hospitais, tanto públicos, como particulares, foram construídos, mas, o João Paulo II, que também é Pronto Socorro, continua sendo a principal porta de entrada para o atendimento emergencial. Com o crescimento da população, também cresceram os acidentes e aí veio a pandemia, que apesar de estar diminuindo, ainda tem os pacientes com sequelas da doença.

Novas transferências

A Secretaria de Saúde de Rondônia (Sesau) informou que fez uma nova transferência de mais 21 pacientes para outras unidades.